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Quando você passa a se sentir menos

Desde muito nova me vi a gordinha da sala de aula, a bochechuda, a mais pesada do que todas as crianças da turma. Passei a usar o mau humor como forma de defesa. Não foram nem uma e nem duas vezes que ouvi de coleguinhas que eles sentiam medo de mim.

Realmente, sempre fui ranzinza, e acredito que sempre usei a minha brabeza para afastar as pessoas, ou para fazê-las terem medo e não mexerem comigo.

E não, não é fácil lidar com a infância e pré adolescência estando acima do peso. As aulas de educação física sempre eram sinônimo de medo, principalmente quando era atletismo. Não, eu não conseguia correr como as outras crianças. Sim, eu sentia dores, sentia falta de ar, me sentia fora da normalidade.

Não, eu não encontrava com facilidade roupas legais, ou não me vestia tão bem quanto as outras meninas. Não, os meninos não eram apaixonados por mim.

Isso tudo machuca, sabe? Principalmente porque a gente começa, desde cedo, a se achar menos do que os outros, visão totalmente deturpada, mas que eu passei a sentir desde muito nova. E por a gente achar que é menos do que os outros, criamos monstros dentro da gente, que nos fazem mal e que muitas vezes nos acompanham durante muitos anos. Não nos achamos bonitos, tão pouco interessantes. E o que nos ajuda nesses dias difíceis? A comida.

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